Grupo Kant – Ata V (23/07/2007)

Nessa data foi finalizada a introdução da CRP, fomentando-se um grande debate sobre o projeto kantiano. Esse debate arquitetou-se sob a égide dos seguintes pontos:

1. B25 Kant concebe a CRP como uma propedêutica ou uma ciência (idéia de uma ciência B27) que se restringe a demarcar os limites da razão pura. Ela não é doutrina, pois sua utilidade é apenas negativa. Questão decorrente: a filosofia transcendental seria uma terapia filosófica? Alguns indícios apontam que não. Entre eles podemos destacar que para Kant a metafísica tem um lugar tanto na razão prática quanto como fundamento da ciência da natureza no que concerne aos seus princípios. Difere, portanto, de Wittgenstein para quem a assimilação do ceticismo constrange a filosofia a tornar-se uma terapia lingüística.

2. Kant afirma que a natureza das coisas é inesgotável. Questão esse discurso remete à coisa em si? Uma possível solução é considerar essa passagem apenas refere-se ao conhecimento da coisa que é inesgotável. A ciência pode acumular sempre mais saber sobre a coisa.

3. B28 e A14 Kant afirma que os princípios supremos da moralidade e os seus conceitos fundamentais ainda que sejam conceitos a priori não pertencem à filosofia transcendental. Questão: a filosofia prática quanto aos seus fundamentos não faz parte do sistema kantiano? Por quê? Obs. A filosofia transcendental é puramente especulativa.

4. B29-30 A15-16. Kant fala em dois troncos do conhecimento humano: entendimento e sensibilidade. Se pensarmos esses troncos como faculdades, há problemas, pois existiriam outras faculdades como a imaginação como cita depois. Um outro problema abordado foi a tentativa de ligar o projeto kantiano a um modelo ou método para explicação do conhecimento científico. Problemas: 1. Se a filosofia transcendental é de fato um método ou modelo por que Kant liga o projeto da filosofia transcendental ao sujeito? Por que ele liga a sensibilidade e o entendimento ao conhecimento humano? Ou seja, o sujeito transcendental não estaria ligado, portanto, ao sujeito empírico, sendo uma estrutura cognitiva desse último? Qual a ligação entre o sujeito transcendental e o sujeito empírico?

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