Posts de Julho, 2008|Página de posts mensais

Ata 22/07/2008

Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 22/07/2008
Coordenador: Prof. Dr. Érico Andrade
Membros presentes: Írio Coutinho, João Henrique Breda, Pierre Mignac e Sérgio Farias Filho.

Parte do grupo Kant foi dedicado à leitura de projeto de Sérgio Farias Filho relativo à matemática em Wittgenstein

Obs. B246-249 Análise das categorias de causa e efeito, bem como uma digressão sobre a categoria de comunidade.

Kant realiza uma drástica economia na compreensão da causalidade face ao pensamento aristotélico à medida que compreende a categoria da causalidade apenas no âmbito de sua eficiência, isto, a categoria de causalidade refere-se à produção de um certo efeito, sem levar em consideração especificamente cada elemento que compõe um fenômeno e concorre para que ele ocorra de um certo modo. Trata-se, pois de uma categoria do sujeito transcendental que não tem seu homônimo na coisa, com em Aristóteles.

A categoria de comunidade cumpre a função de explicar a ação recíproca para cuja compreensão a categoria de causalidade não seria suficiente, pois com detectar a causa em sistemas cíclicos como o da água? Além disso, a categoria de comunidade explica a lei da ação e reação.

Pode-se conhecer a forma da lei da mudança sem necessariamente recorrer a sua aplicação ao fenômeno, pois ela é dada a priori no sujeito. Ela é, pois, própria ao sujeito transcendental e constitui toda experiência possível.

Grupo Kant


Estátua de Immanuel Kant em Kaliningrado, antiga Königsberg, cidade natal do filósofo.

O Grupo Kant do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, em atividade desde Junho de 2007, tem como objetivo uma leitura crítica e analítica da obra do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) em seus encontros, além de uma vasta bibliografia de comentadores da obra do filósofo almeão e textos de integrantes do grupo. Atualmente há a leitura em seus encontros da Crítica da Razão Pura.

Integrantes permanentes:
- Érico Andrade, Professor Adjunto de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (Coordenador do Grupo).
- Írio Coutinho, doutorando em Filosofia pelo Doutorado Interinstitucional UFPE-UFPB-UFRN.
- João Henrique Breda Dias, mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco.
- Pierre Mignac de Lira, graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco.
- Sérgio Farias Filho, graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (Editor do Blog).

No presente blog serão fornecidas as atas de cada encontro, textos de seus integrantes e material diverso sobre a obra kantiana.

Ata 15/07/2008

Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 15/07/2008
Coordenador: Prof. Dr. Érico Andrade
Membros Presentes: Írio Coutinho, João Henrique Breda, Pierre Mignac e Sérgio Farias Filho

Obs. Sobre a relação entendimento e sensibilidade.

1 B(245) O entendimento translada o tempo para os fenômenos. Kant parece sugerir nessa passagem que o entendimento age sobre a sensibilidade. Com efeito, poder-se-ia compreender que o entendimento re-apresenta (representa) o fenômeno, uma vez que esse é primeiramente dado na sensibilidade, segundo a lei da causalidade. Isto é, a causalidade que liga – relaciona – a diversidade dos fenômenos no intuito de fornecer uma necessidade quanto à ocorrência dos mesmos é sempre situada a posteriori. A dependência do sucessor em relação ao antecedente é apenas lógica e não ontológica, ou seja, só se pode falar do antecessor, do ponto de vista empírico, quando ocorre um fenômeno que lhe é sucessor. Sucessor e antecessor só existem e só podem ser compreendidos empiricamente no horizonte do tempo. Nesse sentido, causalidade não é previsibilidade, pois não se trata de uma referência à estrutura do mundo no que revela da ontologia imanente dos fenômenos e de sua linearidade, mas de um princípio regulador do que ocorre na nossa percepção. Nesse ponto, poderíamos explicar, em certa medida, a física quântica por via crítica, pois a diversidade de probabilidades não implicaria que existiria uma diversidade de causas e efeitos quando ocorrido o fenômeno. Assim, para cada causa há, como prescreve Kant, um efeito, ainda que não se possa determinar a causa a priori, ou antes da existência do fenômeno (sucessor) resultado de uma causa (antecessor). Caso a causalidade fosse previsibilidade, isso implicaria a existência poderia ser prevista, ou que a ocorrência de um fenômeno implicaria a existência de um outro. Assim, a causalidade não importa, enquanto princípio, a existência.

Problemas e conseqüências: revisão dos juízos sintéticos. B199 e A160.

Diferentemente da matemática o uso da síntese dos conceitos puros do entendimento referente à experiência empírica tem sua certeza mediatizada, isto é, por ser dependente do comércio com a experiência os conceitos da dinâmica produziriam outra forma de juízo sintético a priori (ainda que essa outra forma de juízo seja igualmente universal). Os juízos da ciência são mutáveis porque podem depender da experiência.

Questões: a necessidade das proposições científicas seria, diríamos, fraca? Os juízos da ciência seriam mutáveis por dependerem da experiência? O reconhecimento da probabilidade e o próprio uso da estatística não teria como implicação a instituição de um sujeito como aquele que traça e determina as probabilidades? Necessidade implica razão?

Ata 08/07/2008

Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 08/07/2008
Coordenador: Prof. Dr. Érico Andrade
Membros Presentes: Írio Coutinho, João Henrique Breda e Sérgio Farias Filho

Obs. Referente ao encontro anterior: crítica de Hegel ao pensamento kantiano.

Hegel acusa Kant de subordinar a razão ao entendimento na medida em que este último censura – no âmbito teórico – os avanços da razão e seu desligamento das condições lógicas das categorias, bem como das condições empíricas a priori formatadas pela sensibilidade. A dialética transcendental exprime, para Kant, a transgressão dos limites da razão, ao passo que para Hegel – em acordo com Kant – a razão é sim dialética. Nesse sentido, ele se infinitiza no conflito e na busca – enraizada no horizonte do tempo – pelo seu próprio reconhecimento. Conhecer para Hegel não é uma tarefa cujas condições são dadas a priori ou que se efetive mediante o reconhecimento de um dado, mas sim luta para superar limites, dissolvidos na travessia do espírito.

Obs. A apresentação de um fenômeno está sujeita a uma regra da causalidade, isto é, a experiência só é possível mediante uma ligação necessária das percepções (B218).

Esse raciocínio é seguido em toda analítica dos princípios no intuito de mostrar aquilo que a experiência pressupõe para ser apreendida enquanto tal. Nesse sentido, deve-se procurar aquilo que converte sempre em objetiva minha síntese subjetiva (B240). Kant parte da inelutável necessidade da experiência no sentido que há uma regra que lhe permite ser apreendida. Kant parece um pouco dogmático ao afirmar que da experiência não se pode extrair a necessidade, atribuindo um caráter contingente à experiência por via de uma leitura essencialista da natureza. Para Kant o fundamento da experiência não é dado na própria experiência (B241). O significado objetivo das representações é auferido de certa ordem no tempo. O argumento central de Kant é que só pelas categorias não é possível determinar o que é causa e o que é efeito. Todo o sucessor pressupõe um antecedente. Ora, Kant parece sugerir que a sensibilidade é condição para o próprio uso das categorias, atribuindo a primeira um privilégio ou fundamento para todo conhecimento possível. No intuito de recuperar a necessidade – a despeito das críticas céticas de Hume – Kant vê-se obrigado a rejeitar o dogmatismo de Leibniz (harmonia pré-estabelecida que confere conexão necessária aos fenômenos por uma via ontológica), bem como as verdades eternas de Descartes (as quais conferem necessidade à mecânica da natureza). Para tanto, Kant subjetiviza a necessidade, numa espécie de mentalismo cuja potência é capas de conferir necessidade aos atos mentais e, conseqüentemente, à própria experiência.

Conseqüências: Kant parece atribuir à sensibilidade (faculdade passiva) regras que tangenciam uma certa noção de atividade. Ele sugere, portanto, que a sensibilidade porta um papel ativo no conhecimento. Disso decorre a questão: a sensibilidade em Kant deveria ser compreendida num viés epistemológico ou fenomenológico? Uma terceira hipótese seria coadunar essas duas possibilidades numa única. Por último, podemos perguntar se a não haveria na CRP um fato da razão tal como na Crítica da Razão Prática.

Ata 01/07/2008

Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 01/07/2008

Coordenador: Prof. Dr. Érico Andrade
Membros Presentes: Írio Coutinho, João Henrique Breda e Sérgio Farias Filho

Leitura da Segunda Analogia da Experiência

B232-233

Obs. 1ª O tempo não pode ser percebido em si mesmo.

2ª Crítica ao pensamento de Hume: na percepção fica indeterminada a relação objetiva dos fenômenos que se sucedem uns aos outros (B234).

O hábito não indica a necessidade nem a objetividade das relações entre os fenômenos. A absolutização da contingência, inscrita na idéia de hábito, fere o desejo kantiano de explicar a necessidade da física de Newton.

Contra-argumento: Segundo Loparic é possível pensar uma certa falseabilidade em Kant no que se refere ao conhecimento, sendo o pensamento kantiano a expressão da certeza de que dada as mesmas condições e as mesmas regras (subjetivas) os fenômenos ocorrerão de um mesmo modo.

Conseqüência: os fenômenos apresentam-se segundo regras do entendimento, as quais determinam todo o modo de apresentação dos fenômenos. Não podemos escolher essas regras, que nos são dadas (ou inatas?). Essas regras do entendimento parecem revelar um certo mentalismo em Kant ou mesmo uma psicologia.

Questões: As regras do entendimento seriam as mesmas regras da ciência? As categorias seriam, diríamos, a forma lógica das proposições científicas? Enquanto para Descartes o método é necessário na busca do conhecimento certo, em Kant as categorias parecem apontar para uma única forma de conhecimento ou única forma de determinação das leis da ciência. O limite mental seria, portanto, um limite epistêmico decisivo. Não residiria nesse ponto a subordinação kantiana da razão ao entendimento no que concerne ao conhecimento teórico? Pois, os limites do entendimento podem ser considerados os limites da ciência e do conhecimento de maneira geral?