Ata 15/07/2008

Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 15/07/2008
Coordenador: Prof. Dr. Érico Andrade
Membros Presentes: Írio Coutinho, João Henrique Breda, Pierre Mignac e Sérgio Farias Filho

Obs. Sobre a relação entendimento e sensibilidade.

1 B(245) O entendimento translada o tempo para os fenômenos. Kant parece sugerir nessa passagem que o entendimento age sobre a sensibilidade. Com efeito, poder-se-ia compreender que o entendimento re-apresenta (representa) o fenômeno, uma vez que esse é primeiramente dado na sensibilidade, segundo a lei da causalidade. Isto é, a causalidade que liga – relaciona – a diversidade dos fenômenos no intuito de fornecer uma necessidade quanto à ocorrência dos mesmos é sempre situada a posteriori. A dependência do sucessor em relação ao antecedente é apenas lógica e não ontológica, ou seja, só se pode falar do antecessor, do ponto de vista empírico, quando ocorre um fenômeno que lhe é sucessor. Sucessor e antecessor só existem e só podem ser compreendidos empiricamente no horizonte do tempo. Nesse sentido, causalidade não é previsibilidade, pois não se trata de uma referência à estrutura do mundo no que revela da ontologia imanente dos fenômenos e de sua linearidade, mas de um princípio regulador do que ocorre na nossa percepção. Nesse ponto, poderíamos explicar, em certa medida, a física quântica por via crítica, pois a diversidade de probabilidades não implicaria que existiria uma diversidade de causas e efeitos quando ocorrido o fenômeno. Assim, para cada causa há, como prescreve Kant, um efeito, ainda que não se possa determinar a causa a priori, ou antes da existência do fenômeno (sucessor) resultado de uma causa (antecessor). Caso a causalidade fosse previsibilidade, isso implicaria a existência poderia ser prevista, ou que a ocorrência de um fenômeno implicaria a existência de um outro. Assim, a causalidade não importa, enquanto princípio, a existência.

Problemas e conseqüências: revisão dos juízos sintéticos. B199 e A160.

Diferentemente da matemática o uso da síntese dos conceitos puros do entendimento referente à experiência empírica tem sua certeza mediatizada, isto é, por ser dependente do comércio com a experiência os conceitos da dinâmica produziriam outra forma de juízo sintético a priori (ainda que essa outra forma de juízo seja igualmente universal). Os juízos da ciência são mutáveis porque podem depender da experiência.

Questões: a necessidade das proposições científicas seria, diríamos, fraca? Os juízos da ciência seriam mutáveis por dependerem da experiência? O reconhecimento da probabilidade e o próprio uso da estatística não teria como implicação a instituição de um sujeito como aquele que traça e determina as probabilidades? Necessidade implica razão?

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