Grupo Kant 12/08/2008
Universidade Federal de Pernambuco
Departamento de Filosofia
Grupo Kant 12/08/2008
Coordenador: Prof. Érico Andrade.
B275-282
Observações gerais: o uso de termos matemáticos.
Embora na refutação do idealismo e em outras passagens da Crítica Kant empreenda termos matemáticos – lembrando que Kant condenará metafísica, entre outras coisas, pelo uso do método matemático – a sua preocupação é mais estilista; em consonância com o estilo acadêmico da época.
Observações sobre a relação entre tempo e espaço.
Problema: Na refutação do idealismo Kant parece sugerir uma certa subordinação do tempo ao espaço o que entra em conflito com as demais passagens do texto, sobretudo, com a Estética Transcendenal.
1 Essa aparente confusão kantiana pode ser explicada, em parte, por sua ânsia de contrariar ou de suspender a certeza idealista do conhecimento de si – interno – é mais imediato que o externo. Para Kant a experiência externa é anterior a experiência interna, de sorte que é necessário ter um contato com o mundo para se ter um reconhecimento de si. O conhecimento inato ou por uma via privilegiada, estruturada numa reflexão de cunho solipsista, é interdito para Kant e, por isso, o conhecimento de si tem que partir do reconhecimento do outro: mundo.
2 A recepção da Crítica fora marcada por um ataque à suposta filiação kantiana às doutrinas de Berkeley e Espinosa (B275-276). Essa foi um das motivações que conduziu Kant a reformular parte da refutação do idealismo. Para fugir ao solipsismo que acometera aqueles filósofos Kant preferiu dar ênfase no espaço no intuito de mostrar, por via de um argumento, em certa medida, ad hoc que o eu sem um contato com a experiência é incapaz de se reconhecer. Assim, se a existência implica relação com a experiência, apenas no contato com o mundo externo é que se pode apreender a existência do sujeito. O problema do idealismo foi desconsiderar a experiência como elemento constituinte da certeza do eu penso.
Perspectivas sobre a relação espaço tempo: talvez uma solução para compreender-se a relação entre espaço e tempo no edifício crítico seja tomar essas duas intuições priori da sensibilidade como momentos de um mesmo processo – talvez dialético? – conforme o qual o eu reconhece sua existência ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade das coisas exteriores. Ou seja, dado que o sujeito não pode se desvencilhar de sua estrutura sensível quando visa conhecer algo, ele não pode ter o conhecimento de si, sem pressupor um conhecimento sensível do mundo, ao passo que o mundo, enquanto fenômenos ordenados e encadeados segundo leis, não pode ser concebido dessa forma sem um referencial que lhe confira unidade.
Problemas: se não há uma intuição correlata ao eu penso, esse eu seria estritamente formal? Isto é, o eu formal seria ontologicamente distinto do eu empírico? Poderíamos tecer uma distinção entre eu material e eu formal, retomando, de algum modo, a tradição metafísica que prescreve a divisão entre corpo e alma?
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